Poesia da Morte
Por que sugerir ao mundo que o delito é maior
Se da escuridão me vem o novo medo de viver?
Tenho medo da vida, talvez mais que sei dizer.
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Não quero ter pressão alta nem diabetes,
Não quero deixar de sentir amor por outras pessoas,
Mas é assim: Nunca a canção mais bela é a que entoa.
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Sou mais que temeroso, por vezes fui temível – Bem sei disso.
Perdi a mim mesmo, quase perdi a vida, perdi o juízo.
Não posso dizer que creio em Deus, não creio no Diabo,
Não creio na vida, não creio nas pessoas: Não odeio nem sou odiado.
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Sei de cousas mil, sei quem sou, sei que não existe vida após a morte,
Não creio em ser mais que sempre fui, não creio na sorte.
Não quero mais viver.
Simplesmente cansei.
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15 de setembro de 2003.
Hugo Antonio
Tempestades
Muito mais sei dizer do silêncio
Que da luz que rutila em meu sentimento.
Não sorrio mais pois cansei-me disso;
Não falo mais pois cansou-me o juízo.
A vida é boa mas insensata.
A vida é insensata e inadequada
Simplesmente cansei.
Se lágrimas falam melhor,
Que assim seja, derramo-as por um bem maior
Mas, um dia eu sairei daqui
E deixarei de viver a vida apenas dentro de mim.
Mas, se for mais difícil que eu imagino?
E se esse dia simplesmente nunca vier?
E se eu jamais sair do ninho?
Data: 29-07-2003
Lindos dias
Quantas vezes dizer à vida
Que todas as chances acabaram?
Deus tem pena desta alma.
DEsde que não penso, não vivo,
Desde que não vivo sou meu maior inimigo.
Já não espero mais nada dessa vida.
Sei que a vida não espera mais nada de mim.
Sou jovem. Talvez jovem demais
Para pensar que a vida está no fim
Mas, quando setá ela boa para mim.
Data: 15-07-2003
Vozes
Nada é tão certo quanto dizer adeus.
Nada será da forma que você prometeu.
Não haverá um dia sequer que'm m'esqueça.
Não haverá uma só manhã que'u não lembre
Hoje será melhor que amanhã
Mas quando será bom o bastante?
Não penso mais nessas cousas.
Desde que o mundo acabou.
Não há vida desde então.
Data: 25-07-2003
Nunca
Nunca houve ou haverá
Paixão como essa a despertar:
Dedizer cousas insanas
Só por dar-se a quem se ama.
Em meu coração o frio é vazio
E o silêncio a esperança
Das cascaras de alegria
E dos sonhos a insegurança.
Nunca serei menos ou mais
Nunca direi nunca mais
Nunca é nunca
E nunca jamais.
Em: 27-07/2003.
Poesia estranha
Há determinados pensamento
que insurgem-se em lugares jamais imaginados.
Penso no quão grande é meu sofrimento
e, percebo se não é obra do meu imaginário,
ora pois, nada tenho a dizer
entre cousas loucas que já fiz e o que
o destino que vez ou outra teimo em praguejar.
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Não é tão triste falar de solidão,
pois há tempos assim está este coração,
selado no silêncio absoluto do dia-a-dia,
encerrado nessa prisão vazia.
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Quisera eu que fosse melhor
quisera eu falar de algo maior,
ter planos a realizar,
ter alguém para conversar.
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2000
O grito
Há tempos que minhas palavras notívagas
são absortas neste grande grandessíssimo nada.
As vezes fico pensando neste mundo louco em que vivo,
nas coisas insanas que penso sem motivos.
Há vezes em que temo o passado,
mas principalmente temo não ter quem esteja a meu lado.
Se, se eu pudesse uma só vez sorrir
sem ter que me agredir,
falar de amor com paixão
e não temer meu coração.
Ah, se o passado fosse apenas a estrada
que me leva ao presente, não ao nada.
Sabe, tenho medo de muitas coisas sem razão de ser,
de estar só, de chorar, de me descobirem e todo mundo me esquecer.
Tenho medo de mim.
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05-2000.
A vida
Nas tardes que longas se vão
mais triste fica meu coração.
Falo de tristeza como quem fala de um irmão
pois nestes tempos tenho estado à solidão.
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Às noites, que frias vêm e vão
falo de mim e, por quê não?!
Mas, gostaria de falar de coisas boas,
que jamais outro alguém a alma entoa.
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Quem me dera acreditar que há futuro,
mas não o estou a esperar, está pois escuro.
Tenho medo de lhe fizer o que eu quero tanto,
tenho medo e não sei o que estamos esperando.
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Talvez não esteja entendendo o que lhe digo,
mas nos últimos dias não tenho tido amigos,
o som das flores não respiram minha vontade,
houve momentos em que vi felicidade.
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Há ainda dias piores que penso em morrer
há dias que penso em pessoas como você
e, no final acabo por sobreviver.
A coragem que tinha em mim se esvai
a medida que meu corpo recai,
sucumbe ao que não quero. Vida...
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2000.
Duas poesias numa folha só
Fico pensando nas cousas que m’acontecem,
neste cotidiano em que meu espírito ensoberbece-se,
que mal tenho – uma vida – real ou que os dias são equitativos.
Penso na noite, no dia, em outros motivos
para não me indispor com todo o universo
ou apenas para fazer um único verso
que não fale de ódio ou rancor de mim ou do mundo,
penso nisto todos os dias e m’afogo neste mar profundo.
Tenho versado sobre as adversidades
da vã vida vaga que venho vivendo.
Vou vendo virtudes sem verdades.
Vencendo, desvanecendo.
=
Quem me dera que alguém me quisesses
como quero alguém (!).
Quem me dera qu’eu me mantivesse
em amor e sem ninguém.
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Sim, a loucura enaltece minha visão,
não vejo nada, só nada enxerga meu coração
e quem me dera acreditar
que não acontece o que estou a esperar,
que amanhã eu acordasse.
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03-04-2000
Cinelândia, Rio de Janeiro, Brasil
Belo és tu, meu Rio de Janeiro
que abre os braços – como teu cristo – a qualquer estrangeiro.
Falo da Cinelândia à praça Floriano...
Te estive observando
e os que em teus bancos se assentam,
desde os ricos aos que teus bancos como morada apresentam.
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Eis que posso sentir o odor da revolta ao teu redor
deste povo que distante de si mesmo luta por algo maior.
Que essa massa não ouça minhas palavras,
que essas frases não sejam lembradas.
Pois canto um povo inconsciente, inconsequente,
um povo ignorante, digno de dó por ser tão contente.
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Sim, devo dizer que o analfabetismo social
é pior que toda ignorância, todo ódio visceral.
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08-04-2000.
Dos dias
Tenho pensado no que tenho vivido
e me pergunto: Tenho vivido?
Os dias são tão iguais
e não tenho feito nada demais.
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As vezes me olho no espelho
e procuro alguém que não conheço.
Fico olhando a noite, que triste me observa,
tiritando de tristeza minha’lma degenera.
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A solidão me tem feito mal,
muito mais que a qualquer ser normal.
Fico olhando e nada vejo, embora não esteja cego
mas é tão grande o mal que me assola que a mim mesmo não enxergo.
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2000.
Nosso tempo
Que encanto é esse que não temos
não conhecíamos paz, há tempos,
os corações insanos calaram-se
no silêncio das almas que martirizavam-se
lutando por dias melhores da humanidade,
que insana, perfilava seus filhos em infelicidade.
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Eis o fardo que estamos a carregar:
a incompetência do que não se soube criar.
uns foram consumidos por ideias rotas,
outros morreram-se pelas drogas,
alguns mais mantiveram-se inertes à espera da próxima chicotada
e, os que sobraram fugiram sem escolher a estrada.
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Sujeitaram-se – esta geração – a humanos tais quais
eles não se julgam iguais.
inventaram leis hipócritas e escolheram ladrões por governantes.
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Que futuro há para nós? Aos que seguem o exemplo
daqueles que não deram exemplo.
Foi esta geração covarde e sem imagem sólida,
além de boba, vulgar e hipócrita.
Que futuro há para nós, senão destruir e refazer
ou chorar, se conformar e morrer.
Palavras, entretanto, não mudam o futuro
e, do passado aprenderei para o presente imaturo
não cometer erros iguais a esses do mundo.
12-03-2000.
Não olhe para trás
Eu te conheço há tanto tempo.
Parece que foi ontem, aquela troca de olhares,
sem saber o que fazer, resolvi recuar
para não te magoar.
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Não olhe para trás,
seu destino está em frente.
Se não for capaz, tente novamente.
Se a luz em sua vida apagar,
não ligue, deixe que ela irá
acender a luz do seu caminho.
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Mas se isso não acontecer e a luz
não acender com as lágrimas
do seu destino é porque
ela não merece esse valor de quem
tanto a aclamou.
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Escrito em: 2003
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