O Homem dos Andrajos
Não mais simples que andar descalço é jamais ter calçado um sapato e, este era o caso de nossa personagem que, embora do sexo masculino prefere ser conhecido por 'a personagem', pois assim dizem corretos os jornalistas e, mesmo muito desolado e obstante em empregar desta forma um substantivo que é feminino e masculino, a nossa personagem que é homem, subia uma rua qualquer em um local não muito distante de onde devia estar e, é desse jeito que encontra consigo mesmo e, estapafúrdio considera: ' - Além de desabrigado estou louco.Vou parar de catar os restos do restaurante japonês, sempre que o faço me sinto mau e estranho'. Tão verdade que uma vez após comer no china - hábito de generalizar orientais por 'china' e nordestinos de 'baiano' ou 'paraíba', mesmo não o sendo - começou a achar algo estranho em seu cão - uma vira-lata vesga e manca que atendia pelo nome de 'Leidi' - assim escrevia nossa personagem - e, Leidi ap.anhou como uma cadela por nada ter feito e nada poder fazer.
Mas, qual a diferença que a indiferença nos faz notar?Responda de pronto! Impossível? Nós mesmos. Explica-se: Quando o indivíduo torna-se indiferente o suficiente, torna-se incapaz de chocar-se - privilégio dos auto-ovíparos - e anda por aí proclamando a verdade universal capitalista: 'Eu sou especial' e, eis aí todo o problema: Ninguém é especial. Não há nenhum ser humano que seja essencial ao funcionamento do universo e da vida como é conhecida.
Nossa personagem entendeu isso no momento que nasceu: Não era especial - a bem da verdade, não o é - e, sua pragmática existência limitava-se ao seu alimentar, vestir e não ser preso ou morto. No mais, sua felicidade era completa - afinal desconhecia-a - e seus anseios giravam em torno de um jantar especial: um lanche no Méquidonaldis (lanchonete internacional e muitíssimo conhecida na sua cidade - independente se a da personagem também).
Havia um tal de GibMéqui com Batatas fritas e refrigerante que fazia-o suspirar desde muito tempo. Não sabia quantos anos tinha, afinal, também não era capaz de escrever ou ler, menos ainda, não possuía documentos. Só existia pois ocupava espaço físico (e nem era tanto assim) seu esquálido, macilento, descarnado retratar era retrato da miserável existência que teimava em levar. Vivia de teimoso, sua rusga com a vida era eterna, desde sua primeira pneumonia e a tuberculose que levou sua mãe para um lugar de menos sofrimento até a batida policial no viaduto que abrigava-se que deixou-o coxo por alguns meses.
A felicidade alijava-o e era, contudo, companheira de momentos fugazes nas partes mais remotas da cidade e na fuga de sua realidade, quando pensava ser alguém que não era, quando punha-se sob as vestes d'outras almas e, quando sentava-se em frente a loja de eletrodomésticos e via na televisão coisas que duvidava existirem.
Um dia, sem muita preocupação e após ter conseguido quase 15,00, mais por sorte que mérito: Um mendigo esqueceu sua sacola cheia de latas de alumínio e, ele achou. Quão feliz ficou! Ora, 15,00 daria para ir ao Méquidonaldis. Entrou pela porta da frente e, nem bem deu dois passos, sua aparência esdrúxula despertou a atenção do segurança do salão que nem mesmo quis ouvi-lo e pôs, aquilo que tomou como pedinte, porta afora do restaurante. Agitando as notas de dinheiro nas mãos surtou e 'demoveu-se de seus tamancos', forçou-se para dentro do restaurante e, agitando os braços e brandindo algumas notas e moedas de dinheiro só era capaz de pronunciar: 'Um um', 'Um um'...; sua resposta foi mais que imediata: quatro mãos agarravam-no e arrastavam aquele corpo esquálido e relutante para um canto do restaurante enquanto policiais de diferentes cores chegavam brandindo cinzéis que fustigavam as almas dos viandantes estupefatos e, em algum momento em meio ao turbilhão alguém foi sensato e disse: - Soltem este rapaz! Ele tem o mesmo direito que nós de Méquidonaldiar! Mais ainda: Ele é jovem e, só porque está descomposto é tratado dessa forma? Isso é racismo! Onde está a Lei?
Mas, provavelmente ele ladrou este dinheiro de alguém! Disse um dos contentores da jovem personagem. Outra voz retruca: "-Lates meu jovem?". O rapaz assustado e multicolor responde: "-Não!". Então solta-o! Ou então arcarás com as conseqÜências.
Os policiais tomaram providências para que o jovem tivesse direito ao seu tão sonhado lanche e, num exemplo raro de dignidade, encaminharam-no aos órgãos públicos de direito e, após um exame de corpo de delito e uma queixa de racismo, uma causa foi parar nas mãos do promotor público: Uma causa que tratava dos abusos do restaurante Méquidonaldis! Pensava consigo - pois com outro lhe era impossível - "Minha chance de afamar!". Naquela semana ainda nossa personagem adoeceu: O lanche não coadunou de forma apropriada com sua genética esfomeada e fê-lo sentir todas as cólicas e dores possíveis. Foi internado num hospital e, constatada uma impropriedade administrativa no lanche Méquidonaldiano. Causa ganha: Racismo e mal físico constatado!
Guerra declarada
Talvez sejamos os guerreiros que, em sala de aula, lutamos contra tudo, contra todos. Por cousas que muitas vezes compreendemos parcialmente, mais ainda, enxergamos diferente, enxergamos o futuro.
Antever o que acontecerá é a nossa tarefa, auxiliar, inspirar, sofrer, brigar até o fim.
Pelas crianças, pelos jovens, pelos profissionais, por outros docentes.
Quando dizemos não sabermos determinada cousa, este é o primeiro passo da humanização: Somos imperfeitos; sabemos um pouco mais, mas não tão mais, então eis o audaz, bem mais: Desafio.
E, se ainda assim, somos capazes de carregar o mundo todo nas costas, a cruz do ensino, do destino o estandarte, da eternidade...
Ser professor é empreender a Jihad todos os dias santificados, santificando o ensino como meio para obter-se métodos, para seres humano, mais humano.
São verdades, dias, vaidades, pensamentos, contribuições, esperanças, passageiros num grande amontoado de superação e virtude inviolável, variavelmente verossímil à vida vida:Vagueia na vã verdade advinda e invariável.
Somos mais, bem mais que letrados,somos pais, mães, filhos, filhas, irmãs, primos, tias, tios, taxistas, porteiros, contadores, engenheiros, loucos. Detemos conhecimento sobre algo, ensinamos.
Eis o orgulho de meu povo, que em si retrata as verdades e virtudes de tudo o que é, para ele, objeto de dificuldade, mais ainda: Ensina ao próximo através do exemplo jovial e desapegado da psique brasileira.
Amo meu povo, amo minha profissão, luto por uma causa.
Alguns Insights (Ou idéias simples)
Qual a resposta para todas estas perguntas que tenho tanto medo de fazer?
Por que me sinto tão diferente de todos durante tanto tempo?
Por que há tantas perguntas sem resposta? Gostaria muitíssimo que tudo isso que penso e sinto fizesse mais sentido que faz agora. Qual o propósito de trabalhar e não se ter o que se quer? De amar, se a pessoa que se ama nem mesmo sabe que você existe e, se sabe, não liga o suficiente? De estudar a palavra de Deus com afinco mas não ter fé? De viver?
Sei que pareço melodramático mas, o que acontece é que estou cansado disto tudo. Não quero dizer que vou me suicidar:Cansei disso.
Nada faz sentido. Não sei de cousa alguma, não tenho nenhuma certeza. Não vejo a vida por olhos que deveria. Sou infeliz. Miseravelmente infeliz. Ninguém me ama e, os que se importam comigo, sou incapaz de retribuir apropriadamente. Sou egoísta às raias do desespero. Me culpo por não ter sido capaz até mesmo de morrer. Vivo desesperadamente, sem soluçõs, sem esperança, sem vontade, sem querer.
Queria ouvir d'alguma moça, que me ama. D'algum amigo que confia em mim. D'alguém que sou importante o suficiente.Mas, já não sei mais o que dizer ou pensar e, tudo se anuvia bem diante dos meus olhos.
Quantas palavras terei de disperdiçar para dizer que não compreendo a vida ou as pessoas. Não me conheço, não me compreendo. Tenho tanta desesperança, tanto desterro, desamor, desvario, desatino.
Enfim, enfim.
Se você liga pro inferno, você fala com o capeta
Não, eu não quero fazer parte da vegetação
Não posso confiar em ninguém, pois ninguém me confia as coisas
Deus sou eu! Deus está dentro de mim
Se há inteligência, de que ela vale se não há empreendedorismo
De todas as idéias, a mais inteligente é aquela que acaba de ser concebida.
O que é ser feliz?
Não achar que galgar a felicidade encontra-se no próximo passo, mas está exatamente aqui.
As vezes, bem ao seu redor, as vezes em seu pensamento, as vezes no passo que se dá rumo ao inesperado
Sim, faço parte de uma minoria majoritária
Todos somos diferentes, mas quão diferentes de nós mesmos?
Eis o imaginarium coletivo: Tudo vai acabar bem, mas como assim?
O que é acabar bem? Se todo mundo acha que está tudo tão confuso, eis a m’or conclusão lógica: A concupiscência do viver é íleo do desconhecido e, em si mesmo mantém (como em nosso corpo).
Há tempo de menos para cousas demais. Há futuro demais de menor importância e, exatamente a este damos o maior valor.
Divagar por simplesmente fazê-lo. Simplesmente, cujos pensamentos correm para longe; afluem, influem, refluem, refugam, julgam, fogem.
Intangível
A vez de contar o que se sabe é sempre (ou quase nunca...) a única em que medimos com preciso o horror de nossas palavras; o vilipêndio de nossos atos, o málogro (e tem acento?) de nossa inobservância à vida.
Taciturnamente, mantemo-nos –ou, com mais propriedade – mantenho-me néscio sob o arquétipo da inocência. Eis o fim, o ocaso que não vem.
Sentíssemos todos como se alguma razão cingisse-nos, insana; ou ainda quérula de tez, cujo vão mor é a intocável tangibilidade do sucesso que não chega, das mil palavras que não fazem sentido nenhum e ainda desta forma parecem ter sido escritas sob medida. De quê? Para quem? O único intento não é inteiramente contemplado – creio que jamais o será – É prece ignota de precisão, confirmação, casta às vistas d’algo que está logo ali, mas teimamos em discernir, pois, tão óbvia se torna, tão simples se faz que inexiste: Ei-la! Ei-la! A tão esperada intagibilidade.
Terceira Parte
Que desventura fez-me invernar por caminhos menos esperançosos, mais infrutíferos quão este sentimento desprovido de virtudes para mim?
Este tal amor é blasfêmia, engodo, quimera, que teimam os donos de nosocômios poder insuflar, como qualquer mal da cornucópia farmacologia moderna, quando ao contrário, fariam fortunas erradicando este mal completamente, exterminado-o completamente, com algum estimulante qualquer que suprimisse o desejo e vontade.
Somos meramente objetos químicos, cumpridores determinados (as vezes determinantes) de princípios físicos, mesmo que involuntariamente (não, não tem acento); o que digo é: Quem quer amor, vive em tortura, sofre sem porquê (olha o chapéu do vovô), vive sem querer, morre sem perceber.
O fim.
Néscios
Somos néscios (ou no mínimo, eu o sou) defino minha própria vida por palavras que desconheço.
Digo ao mundo mentiras, para que notem-me como indelével, indeletável (por que não?).Como único.A vida insta entre o que sou e o que digo ser; resultado: O que acham que sou?
Talvez eu morra um dia, talvez não.
O que importa.
Há muitos momentos na vida: Não sei por quanto tempo viverei, mas se muito ou pouco não importa, desde que por uns momentos tenha-te a atenção. Tudo parece fazer sentido e, o que não faz não importa tanto assim.
Parabéns!
E, se eu soubesse as respostas para as perguntas que teimo em fazer. Se ela soubesse que existo. Se as cousas do mundo não irritassem tanto. Se eu ousasse mais...
Se soubesses o quão sou infeliz, o quanto sou inseguro, quantas verdades me recuso a acreditar que sou insensato, insensível, insincero, inquieto.
Poesia
Veja o futuro, em si mesmo rebelde
E, por tortuosas vias, singrando se atreve.
Sou malogro, instante do sino;
Sou único e incompleto Hugo Antonio.
Fim vem – quando – assim deve ser.
Não devemos ver o que inexiste;
Saber de tudo que é real basta.
Será? Mantém a mente pia, casta,
Que servirá a saber o que o porvir reserva.
Talvez o simples existir sem sentido,
Talvez ninguém que saiba se atreva dizer, pensar, ser d’outra forma concebido.
Soube que há dias de futuro.
Há dias de passado, há dias de dia-a-dia...
Há cousas que jamais temerei saber,
Há outras que não é de minha mente.
Há paz, há animosidade. Há insídia;
Há cousas que jamais compreendo: Vida!
Quantas fui ao cinema sem saber bem porquê.
Quantas vezes respirar é simples e suficiente?
Sou bem mais que tudo isso;
Bem mais que tudo que preciso.
O dizer está sublimado n’algo que não saberia dizer; portanto, respirar pode ser, então
O único alimento que o corpo necessita para não fenecer.
Há virtudes...Há virtudes...
E, se fosse mais fácil dizer meias-verdades sobre mentiras incompletas? Que cousas desconheço: São tantas. Algumas tão tolas quanto o enternecer, quando inverno, o amanhecer de cousas que mal conheço.
É tudo tanto quanto mais complicado que mal sei o que fazer, dizer ou pensar. Sim, me lembro de tantas cousas; cousas demais.
Não me conheço o suficiente para saber o que penso. Minha sanidade se esvai diariamente. As sensações e pensamentos são confusos. Deus me perdoe, mas estou cansado de tudo isso.
Não sei bem o que pensar, nunca senti isso antes, o pensamento anuvia-se, passo a desconhecer fronteiras para tudo que conheço.
Abro meus braços e pulo, mesmo sem entender o porquê. Mas o faço. Amanhã entenderei.
Minimalismo
Enormes muros, prisão maldita! Coração.
O que realmente quero dizer, não sei. Sei apenas que o futuro é incógnito.
Por que tenho tantos defeitos? Por que são tão grandes meus tantos defeitos? Talvez eu devesse me adestrar a ser menos eu. Seguir menos regras em menos oportunidades. Talvez calar-me quando não puder falar.
Não tenho medo das cousas, apenas não sei bem o que fazer ou pensar. Apenas não sei o que intermédia o silêncio e monotonia de meus dias e à torpeza de meu futuro maldiz o que ponho-me a retratar.
Já não me interessa tanto assim o futuro, desde que não seja igual o passado.
Não há o que temer. Está tudo bem, exatamente como deveria ser. O silencio que nos faz temer a vontade de bem querer é desserviço ao futuro, ignorância de um passa não tão bem compreendido e, no fim de si mesmo não efetua a maior troca: Somos gente sem esperança. Eu o sou.
Há pessoas que eu gostaria de ser. Há cousas que eu gostaria de fazer, mas quem sou “eu”? sei de muitas cousas que podem definir meus atos, até meus pensamentos.
Há pessoas que adoraria que me conhecessem. Tanto por fazer. Há tanto.
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Não olhe para trás
Eu te conheço há tanto tempo.
Parece que foi ontem, aquela troca de olhares,
sem saber o que fazer, resolvi recuar
para não te magoar.
-
Não olhe para trás,
seu destino está em frente.
Se não for capaz, tente novamente.
Se a luz em sua vida apagar,
não ligue, deixe que ela irá
acender a luz do seu caminho.
-
Mas se isso não acontecer e a luz
não acender com as lágrimas
do seu destino é porque
ela não merece esse valor de quem
tanto a aclamou.
-
Escrito em: 2003
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